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terça-feira, janeiro 18

DESAPARECE CÃO QUE VELAVA DONA

No último fim de semana, o vira-lata Caramelo emocionou sobreviventes, bombeiros e voluntários na cidade de Teresópolis (RJ) com sua demonstração de fidelidade à dona, morta após ser soterrada em um dos desabamentos de terra que atingiram a região devido às chuvas constantes.

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Irredutível, o cachorro montou guarda por dois dias no pé de uma cova improvisada e não dava mostras de querer sair de lá tão cedo.

Para reencontrar a proprietária, Caramelo chegou a cavar a terra, mas foi contido pelas pessoas.

Mas a história do cão tomou um rumo diferente quando funcionários da Comissão Especial de Proteção Animal da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) o levaram para um abrigo de animais abandonados.

Na segunda-feira, Caramelo já estava de casa nova: havia sido adotado por uma família da Barra da Tijuca (zona oeste da capital fluminense). No entanto, na manhã desta terça, os novos proprietários do vira-lata tiveram uma surpresa: Caramelo fugiu.

Uma nova busca teve início, desta vez, para reencontrar Caramelo. Funcionários da comissão, além da família que o adotou, percorrem as ruas da Barra atrás do cachorro.

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sábado, janeiro 15

FRIBURGO PEDE DOAÇÃO DE VELAS

Após os estragos causados pela chuva, ainda falta luz em áreas de Nova Friburgo (RJ), o que prejudica o resgate de vítimas da chuva em algumas regiões. A prefeitura pede a fabricantes doações de velas. O número de mortos em cinco municípios da região serrana passa de 580 desde a chuva do último dia 11.

Poucos comerciantes se arriscaram a abrir as portas neste sábado, enquanto outros optaram em permanecer fechados com medo de saques. Voltou a chover hoje.

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MORTES JÁ CHEGAM A 555

Até o fim da manhã deste sábado, as equipes de resgate contabilizavam 555 mortos nas cidades de Teresópolis, Nova Friburgo, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Com 253 mortes, Nova Friburgo é até o momento o munícipio com o maior número de baixas, de acordo com a Polícia Civil. Teresópolis soma 238 mortes; Petrópolis, 41; Sumidouro, 19 e São José do Vale do Rio Preto, que entrou na lista de cidades com óbitos na sexta. O número de desalojados em Petrópolis chega a 3.600 e o de desabrigados, 2.800. Em Nova Friburgo, há 3.220 pessoas desalojadas e 1.970 desabrigadas. Em Teresópolis são 960 desalojados e 1.280 desabrigados.

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SUÍÇOS DE CIDADE IRMÃ DE FRIBURGO VÃO AJUDAR NO RESGATE

Depois de um contato com autoridades da cidade suíça de Fribourg, o prefeito de Nova Friburgo, Demerval Barbosa Neto, formalizou, na manhã deste sábado, um pedido de envio de equipes especializadas em socorro em avalanches. O ofício, em francês e português, será enviado ainda hoje para o Corpo Suíço de Ajuda em Catástrofes.


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Demerval Barbosa Neto já havia conversado, por telefone, com o alcaide da cidade coirmã, Pierre Clement. Ficou acertado que serão enviados entre 15 e 20 profissionais com treinamento de ponta em resgate, treinados e com experiência em missões complexas nos Alpes Suíços.

A repercussão da tragédia da Região Serrana do Rio na Europa comoveu a população de Fribourg, que mantém convênios e acordos culturais com Nova Friburgo. Um avião vai decolar com agasalhos e doações arrecadadas pela população de Fribourg.

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34 HELICÓPTEROS EM OPERAÇÃO DE RESGATE

Uma grande operação aérea está em curso desde a manhã desta sábado para tentar levar ajuda às áreas ainda isoladas pelos deslizamentos em Nova Friburgo. De acordo com o prefeito Demerval Barbosa Neto, a prioridade da ação é levar suprimentos, medicamentos e prover primeiros socorros. Sabemos que há pessoas em situação de risco e soterradas em Claudionópolis, Rio Bonito, Alto da Floresta, Granja Spinelli e Campo do Coelho, alertou Demerval.


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Ao todo, serão empregados 24 helicópteros na operação: 10 do governo do estado, quatro particulares, quatro da Petrobras, dois da Marinha, dois da Polícia Militar e dois do Corpo de Bombeiros.

O socorro ainda não chegou principalmente às áreas rurais e aos pequenos grupos de residências em áreas cercadas pela mata – onde um deslizamento simples pode bloquear o acesso de veículos por terra.

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TRANSPORTE REESTABELECIDO ENTRE RIO E FRIBURGO

A Rodoviária Novo Rio informou que voltaram a circular dentro dos horários previstos para partidas e chegadas os ônibus intermunicipais que fazem a ligação com a cidade de Nova Friburgo, na Região Serrana. O tráfego tinha sido interrompido na última quarta-feira por causa da queda de barreiras que bloqueou a estrada de acesso à cidade.

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LEIA ÍNTEGRA DA MENSAGEM DE BENTO XVI SOBRE TRAGÉDIA

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Informado sobre as trágicas consequências das inundações que semearam luto e devastação em tantas famílias do Estado do Rio de Janeiro, o sumo pontífice deseja assegurar a toda comunidade local a sua solicitude, recomendando as vítimas à misericórdia de Deus e suplicando conforto e apoio para suas famílias, para os feridos e quantos perderam seus bens. Para todos os provados por este drama, sem esquecer das pessoas que participam na obra de socorro e assistência, sua santidade Bento XVI invoca reconfortantes graças divinas em penhor das quais lhes concede paterna benção apostólica.

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VOLTA A CHOVER FORTE EM FRIBURGO

A chuva forte que começou a cair depois do meio-dia deste sábado complicou o trabalho de resgate das vítimas em Nova Friburgo. Um temporal atingiu a cidade e interrompeu as operações de salvamento e transporte de medicamentos e alimentos que seria feita com helicópteros. O centro da cidade, onde os bueiros e redes pluviais estão entupidos pela lama, começa a ficar novamente alagado. A população mergulha, mais uma vez, na tensão e no medo de novos deslizamentos de terra.

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Uma equipe de reportagem da TV Globo que tinha ido à localidade de Campo do Coelho, na manhã deste sábado, ficou presa devido à queda de uma barreira. Segundo o comandante dos helicópteros do Corpo de Bombeiros, major Pitaleiga, ainda há várias áreas agrícolas sem qualquer contato com a cidade. Entre elas, segundo o oficial, Janela das Andorinhas e Alto dos Michelis. Vamos tentar sobrevoar esses locais para jogar alimentos e medicamentos, pois dificilmente teremos condições de pousar, explicou. A suspeita é de que haja desabrigados e pessoas soterradas.

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DEVASTAÇÃO JÁ É MAIOR QUE A CIDADE DE SP

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As cidades da região serrana do Rio que vivem a tragédia provocada pelas chuvas ocupam uma área maior que a cidade de São Paulo, de acordo com reportagem publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo neste sábado. São ao todo 2,3 mil km2, extensão superior às cidades de São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos juntas.

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IDOSOS CAMINHARAM 8 HORAS PARA ACHAR HOSPITAL

A moradora Eugenia Knupp conta que estava em sua chácara, na região conhecida como Colonial 61, quando a chuva começou e casas da região desabaram. Recebi ajuda dos vizinhos que me carregaram e me retiraram dos escombros. Eles cortaram madeira, usando facões, para me tirar de lá. Entrou lama no meu ouvido, demorei oito horas para conseguir chegar nesse hospital. Estou traumatizada, lembra.


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Aos 72 anos, o aposentado José Fernando Martins perdeu tudo e agora aguarda ser removido para um abrigo. Perdi minha casa, meus amigos, vizinhos. Desabou tudo. Tenho 72 anos, não sei mais o que fazer para recuperar tudo que eu tinha, lamenta ele.

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HEMO RIO TEM SANGUE PARA 15 DIAS

O HemoRio já conseguiu estocar sangue suficiente para os próximos 15 dias com a campanha de doação para as vítimas das chuvas na Região Serrana. De acordo com a assessoria do Instituto, somente nos últimos dois dias 3 mil pessoas doaram sangue, quando a média diária costuma ser de 300 doadores. O número representa um recorde absoluto nos 66 anos de existência do HemoRio.

 A tragédia das chuvas na Região Serrana já deixou mais de 550 mortos.

Com as unidades hospitalares que cuidam das vítimas da chuva já abastecidas de sangue, a orientação, agora, é para que os voluntários se organizem para retomar as doações a partir do próximo dia 20, uma vez que as plaquetas do sangue têm tempo limitado de validade. Os interessados poderão agendar as doações pelo Disque-Sangue. O número é 0800-282-0708.

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MORADORES IMPROVISAM COVAS

Cansados de esperar, moradores da comunidade Fazenda Alpina, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, decidiram enterrar os seus parentes, vítimas das chuvas, em covas improvisadas. A região ficou praticamente isolada após as tempestades dos últimos dias. Para chegar lá, só é possível a pé, caminhando por mais de duas horas.

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O caminho é longo e difícil. Pela ponte, que era justamente o único acesso para as regiões mais afastadas de Teresópolis, não passa mais carros. A área foi destruída.

Alguns voluntários tentaram abrir uma trilha para motos para facilitar o acesso a esses bairros, que estão praticamente isolados. Eles desafiam barreiras para levar ajuda a quem até agora não recebeu nada. Pelo caminho, eles encontram moradores que mais parecem peregrinos, como uma mãe que caminhou mais de três horas com o filho no colo.

Em outro ponto, um pai segue de mãos vazias. Ele contou que há três dias faz o mesmo caminho pela região, até o lugar onde a filha dele morreu. O morador faz buscas e tenta encontrá-la: A pior coisa do mundo é isso aí, perder um filho e ainda ter que resgatar, contou.

As imagens de destruição anunciam que a comunidade Fazenda Alpina está perto. No condomínio de luxo, a represa sumiu. É para lá que estão sendo levados os corpos encontrados na localidade. Desde quinta, cinco corpos aguardam pela transferência, que só pode ser feita de helicóptero. Até as 14h desta sexta, nenhuma aeronave tinha pousado no local.

Dos cinco corpos, três são marido, mulher e filha. Com pás e enxadas, os parentes enterraram ali mesmo a família: Enterrar meu irmão, meu cunhado e minha sobrinha aqui é a atitude mais correta que eu posso fazer por eles. Não é o que eles merecem, disse emocionado o irmão de uma das vítimas.

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"SÓ SALVEI MEU TERÇO"

Só consegui salvar meu terço, não deu tempo de pegar. Saí com a roupa do corpo, disse a vendedora Marlene da Silva Vicente, 57 anos, moradora da Rua Amazonas, que foi devastada pela força da água, nesta quarta-feira, em Areal. Ela está dividindo uma sala de aula, de 30 m², na Escola municipal Renato Féo de Almeida, com outras 15 pessoas da família, que também tiveram as casas destruídas pela enxurrada.

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O que estou vestindo é roupa de doação. A única coisa que veio comigo é o terço, mas só porque ele estava no meu bolso. Só hoje (sexta-feira) que vou ver como ficou minha casa. Só sei que ela estava com barro pela metade das paredes, disse Marlene.

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SÉRGIO CABRAL DECRETA LUTO DE 7 DIAS

O governador Sérgio Cabral decretou luto oficial no estado do Rio de Janeiro por sete dias, pelas vítimas das chuvas na Região Serrana do Estado. O decreto, assinado na sexta-feira, entra em vigor na próxima segunda, quando será publicado no diário oficial.

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MINISTÉRIO ANTECIPA BOLSA FAMÍLIA

O Ministério do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome vai antecipar o pagamento do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) às vítimas das fortes chuvas na região serrana do Rio de Janeiro. O BPC beneficia pessoas com deficiência ou com idade acima de 65 anos. Cerca de R$ 6 milhões serão liberados a partir desta terça-feira. O ministério também vai destinar 8 mil cestas de alimentos para distribuição aos desabrigados. Aluguel social será pago, ainda, a 5 mil famílias que tiveram as casas devastadas pelas enchentes.


Os beneficiários que perderam os documentos, e até mesmo o cartão do Bolsa Família, vão receber o benefício, com uma declaração especial que deverá ser fornecida pela prefeitura. A Secretaria Nacional de Renda de Cidadania (Senarc), ligada ao ministério, enviou ofício às prefeituras com orientações sobre o pagamento do benefício com formulário-padrão para as famílias que perderam os documentos.Todos os municípios de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro que estão em estado de emergência também receberão o mesmo ofício.

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sexta-feira, janeiro 14

A MAIOR TRAGÉDIA CLIMÁTICA DO BRASIL

A chuva na Região Serrana do RJ, que provocou 497 mortes, já é considerada a maior tragédia climática da história país. O número de vítimas ultrapassou o registrado em 1967, na cidade de Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo. Naquela tragédia, tida até então como a maior do Brasil, 436 pessoas morreram.


Segundo os últimos levantamentos das prefeituras de Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis e Sumidouro, e da Polícia Civil, o total de mortos na Região Serrana chega a pelo menos 497.

Às 22h10, a prefeitura de Teresópolis, informou que o número de mortos na cidade subiu para 223. Em Nova Friburgo, o número subiu para 216, segundo a prefeitura. Em Sumidouro, a prefeitura confirmou um total de 19 mortos. Já em Petrópolis, a prefeitura divulgou que o total de mortos chega a 39 mortos. A Polícia Civil informou que 470 corpos já foram identificados pelos peritos do IML (Instituto Médico Legal).

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quinta-feira, janeiro 13

DILMA LIBERA 1 BILHÃO

Após sobrevoar a Região Serrana do Rio nesta quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff e o governador Sérgio Cabral falaram sobre os trabalhos de resgate e reconstrução nas áreas atingidas pela chuva. Em entrevista coletiva, eles anunciaram um empréstimo de R$ 1 bilhão do Banco Mundial para o programa habitacional Morar Seguro. O objetivo é tirar moradores das áreas de risco. O recurso será liberado em breve, segundo Cabral.

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A presidente anunciou ainda que os moradores de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis já cadastrados começam a receber recursos do Bolsa Família, da prestação continuada e do aluguel-social. Viemos socorrer e dar continuidade ao projeto de prevenção, como fizemos na Rocinha e na Baixada Fluminense. Vamos relacionar todos os programas da União que possam melhorar e coibir esse tipo de tragédia, afirmou Dilma.

No PAC 2, vamos destinar R$ 11 milhões, não só para saneamento básico, mas também drenagem e prevenção de deslizamentos nas encostas. A verba será usada tanto para casos como os de Nova Friburgo, como os de Santa Catarina, disse ela.

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26 SÃO RESGATADOS COM VIDA

As equipes que trabalham no resgate às vítimas das chuvas no Vale do Cuiabá, em Itaipava, distrito de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, encontraram 26 pessoas que estavam isoladas e incomunicáveis. De acordo com a prefeitura de Petrópolis, elas foram localizadas pouco antes das 14h nas regiões conhecidas como Alto Cavalo e Santa Rita, locais com o maior grau de dificuldade de acesso. Segundo a Defesa Civil, nenhum óbito foi registrado no local.

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RESGATADA POR CORDA COMENTA SALVAMENTO

Eu pensei que ia morrer, mas pedi, pelo amor de Deus, que meus vizinhos não me deixassem morrer ali. Foi dessa maneira e com os olhos mareados que a dona de casa Ilair Pereira de Souza, 53 anos, resumiu, nesta quinta-feira, os momentos de pavor que passou pendurada em uma corda ao ser socorrida por vizinhos na enxurrada da noite desta quarta-feira, em São José do Vale do Rio Preto, na Região Serrana do Rio de Janeiro. O momento do salvamento foi gravado por uma equipe de televisão.

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Nunca tinha feito um nó em corda na minha vida. Quando jogaram a corda, me amarrei rapidinho que nem sei como fiz aquele nó. Estava com tanto medo que o nó fosse fraco que me agarrei como nunca na corda, disse Ilair, que é conhecida na região como Pelinha.

Mulher que foi salva por corda 
A cena registrada pela Intertv mostra o momento em que dona Pelinha solta o cachorro, Beethoven, que ela tentava socorrer junto com ela. Ele mordeu meu braço para tentar escapar, mas não consegui segurá-lo. Se eu tentasse ajudá-lo, eu iria morrer. Coitadinho, ele ficou me olhando com aquele olhinho triste e se foi naquela água. Não tinha o que fazer, disse ela, mostrando a marca da mordida no braço esquerdo.

Mulher que foi salva por corda


Desde que se viu livre, em solo firme, Pelinha não conseguiu dormir. É fechar os olhos e parece que toda aquela cena volta a acontecer comigo. Ainda está muito recente, ainda estou abalada com aquilo tudo. Mas uma coisa nunca vou cansar de fazer que é agradecer aos meus vizinhos por terem jogado aquela corda.

Pelinha disse que tentou se escorar sobre uma laje, imaginando que o local seria resistente à força da água. Foi como papelão, um pedaço daquela laje ainda caiu em cima de mim. Meu irmão queria me socorrer, mas não podia, pois se ele fizesse isso nós dois iríamos morrer, lembrou Ilair, aos prantos.

Foi um momento muito difícil ver minha irmã naquela situação e ter de escolher entre ajudá-la e morrer, ou se salvar e deixar que ela conseguisse sair com a corda. Felizmente deu tudo certo, disse o pedreiro Carlos Alberto Pereira de Souza, 46 anos.



Agora, estou na casa de meu irmão, mas devo me mudar para a casa do pai dos meus filhos e ficar lá até arrumar onde morar. Ainda não sei para onde vou, disse dona Pelinha. A casa do irmão fica na frente do local onde ela foi salva.

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VÍDEO MOSTRA RESGATE DRAMÁTICO

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